

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O SOL
O Sol é primo da Madrugada
é o primo safado da madrugada
que arranca sua roupa e beija suas nádegas
que abre suas pernas e nela mergulha
que a leva sem perguntar se quer
para os limites dos dias
para as encruzilhadas das estradas
para as ressacas do mar e das manhãs impuras
e sábias
e bêbadas,
e graças ao Deus primordial
nem um pouco virginais.
O Sol é o primo da Madrugada,
é o primo mais velho
que percorreu países exóticos
que comeu a carne de touros e búfalos
que bebeu das poções mágicas dos índios
e sentiu seu sangue quente com eles,
e em sua mandala mirou o meio
e do meio explodiu para além dos tempos,
para outras esferas, outras auroras,
virgens ou velhas...
É o primo delinquente e quente
que ela ama e fica esperando chegar
O Sol
seu primo,
de barba mau feita,
de olhos profundos e ferozes,
o Sol ,
seu primeiro,
seu amor,
seu pai ,
amante e assassino, o Sol.
O que lhe rouba a vida
e lhe dá luz
o que se esquece nela para ser um só
o SOL.
“ dia desses
acordei com os olhos cheios de vazio
prontos para errar
livres para sonhar,
fui caminhando na faixa amarela,
me equilibrando no meio da rodovia,
sabia que não podia parar,
era como se meu caminhar
fosse os dedos de um violonista
a executar uma canção sagrada,
uma canção popular, porém, inconstante,
cheia de nuancias,
de altos e baixos,
de luzes e sombras,
haviam gatos e anjos caídos no meu caminhar...
flores com amnésia,
fontes escondidas
atrás de montes de pedras,
e velhas senhoras nas varandas de suas casas,
com as portas abertas...”
Henrique Manara